domingo, 21 de fevereiro de 2021

Histórias do nosso querido Brasil durante o Regime Militar

 RESTAURANTE CALABOUÇO

O Restaurante Central dos Estudantes, conhecido como Calabouço, foi, durante as décadas de 1950 e 60, um restaurante estudantil que oferecia comida a baixo custo para estudantes de baixa renda no Rio de Janeiro. Pela grande concentração de estudantes, era também palco de várias manifestações por melhorias na educação e contra o regime militar.

Foi inaugurado em 1951 na antiga sede da UNE, na Praia do Flamengo, mas foi transferido no ano seguinte para a Avenida Infante Dom Henrique, próximo ao Aeroporto Santos Dumont. Circulava uma história de que o novo local havia abrigado uma prisão de escravos, daí o apelido de Calabouço. Apesar de pertencer ao Ministério da Educação, o restaurante era administrado pela União Metropolitana dos Estudantes (UME). No complexo também funcionava um teatro e uma policlínica.

No dia seguinte ao Golpe Militar de 1964, a sede da UNE foi incendiada, o que marcou o início de uma onda de repressão ao movimento estudantil que duraria vários anos. O restaurante foi fechado e assim permaneceu por três meses. Quando reabriu, já sob o controle dos militares, a policlínica foi definitivamente fechada e o acesso ao público passou a ser controlado.

Em 1967, o governo do Estado da Guanabara, devido a reunião do FMI no Museu de Arte Moderna, anuncia sob pretexto de urbanizar a região, a demolição do Complexo do Calabouço. Isso gerou uma batalha campal entre a polícia e os estudantes. Para acalmar os ânimos, Negrão de Lima, então governador da Guanabara, propôs que o restaurante fosse reconstruído na Avenida General Justo, esquina com Rua Santa Luzia.

O complexo acabou por ser demolido sem que o novo restaurante estivesse pronto. Para protestar contra isso, os estudantes organizaram três meses de "pendura" (calote) em restaurantes famosos do Rio até que a abertura do novo Calabouço fosse anunciada, em agosto de 1967.

A invasão do Calabouço

Em 1968, o Calabouço foi o palco do primeiro homicídio de um estudante pela ditadura militar de 1964. No dia 28 de março, durante a repressão a uma passeata, a Polícia Militar invadiu o restaurante e o comandante da tropa, aspirante Aloísio Raposo, atirou e matou o estudante paraense Edson Luís, o qual cursava o segundo grau no Instituto Cooperativo de Ensino, com um tiro a queima roupa no peito. Outro estudante, Benedito Frazão Dutra, também foi ferido por um tiro no peito e levado a um hospital, onde faleceu depois de ficar vários dias em coma. Um porteiro do INPS que passava por perto também foi ferido por um tiro e morreu. Um outro cidadão, que assistia ao confronto da janela de seu escritório, ficou ferido com um tiro na boca. Os boletins de ocorrência policial da época registram que pelo menos seis pessoas ficaram feridas devido a tiros disparados por policiais durante a invasão.

Com medo de que os policiais desaparecessem com o corpo de Edson Luís, os estudantes o levaram até a Assembleia Legislativa do então Estado da Guanabara, onde foi feita a sua autópsia e posterior velório. A morte de Edson Luís e Benedito Frazão Dutra causou o fechamento definitivo do restaurante Calabouço pela ditadura militar, mas também deflagrou o ciclo de manifestações populares de 1968 pela redemocratização do Brasil.

Fonte: Wikipédia

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