sexta-feira, 6 de novembro de 2020

BOLSONARO UMA HISTÓRIA QUE TEREMOS VERGONHA DE CONTAR

 “O Brasil levará décadas para compreender o que aconteceu naquele nebuloso ano de 2018, quando seus eleitores escolheram, para presidir o país, Jair Bolsonaro.

Capitão do Exército expulso da corporação por organização de ato terrorista; deputado de sete mandatos conhecido não pelos dois projetos de lei que conseguiu aprovar em 28 anos, mas pelas maquinações do submundo que incluem denúncias de “rachadinha”, contratação de parentes e envolvimento com milícias; ganhador do troféu de campeão nacional da escatologia, da falta de educação e das ofensas de todos os matizes de preconceito que se pode listar.

Embora seu discurso seja de negação da “velha política”, Bolsonaro, na verdade, representa não sua negação, mas o que há de pior nela. Ele é a materialização do lado mais nefasto, mais autoritário e mais inescrupuloso do sistema político brasileiro. Mas – e esse é o ponto que quero discutir hoje – ele está longe de ser algo surgido do nada ou brotado do chão pisoteado pela negação da política, alimentada nos anos que antecederam as eleições.

Pelo contrário, como pesquisador das relações entre cultura e comportamento político, estou cada vez mais convencido de que Bolsonaro é uma expressão bastante fiel do brasileiro médio, um retrato do modo de pensar o mundo, a sociedade e a política que caracteriza o típico cidadão do nosso país. Quando me refiro ao “brasileiro médio”, obviamente não estou tratando da imagem romantizada pela mídia e pelo imaginário popular, do brasileiro receptivo, criativo, solidário, divertido e “malandro”. Refiro-me à sua versão mais obscura e, infelizmente, mais realista segundo o que minhas pesquisas e minha experiência têm demonstrado.

No “mundo real” o brasileiro é preconceituoso, violento, analfabeto (nas letras, na política, na ciência... em quase tudo). É racista, machista, autoritário, interesseiro, moralista, cínico, fofoqueiro, desonesto. Os avanços civilizatórios que o mundo viveu, especialmente a partir da segunda metade do século XX, inevitavelmente chegaram ao país. Se materializaram em legislações, em políticas públicas (de inclusão, de combate ao racismo e ao machismo, de criminalização do preconceito), em diretrizes educacionais para escolas e universidades. Mas, quando se trata de valores arraigados, é preciso muito mais para mudar padrões culturais de comportamento.

O machismo foi tornado crime, o que lhe reduz as manifestações públicas e abertas. Mas ele sobrevive no imaginário da população, no cotidiano da vida privada, nas relações afetivas e nos ambientes de trabalho, nas redes sociais, nos grupos de whatsapp, nas piadas diárias, nos comentários entre os amigos “de confiança”, nos pequenos grupos onde há certa garantia de que ninguém irá denunciá-lo. O mesmo ocorre com o racismo, com o preconceito em relação aos pobres, aos nordestinos, aos homossexuais. 

Proibido de se manifestar, ele sobrevive internalizado, reprimido não por convicção decorrente de mudança cultural, mas por medo do flagrante que pode levar a punição. É por isso que o politicamente correto, por aqui, nunca foi expressão de conscientização, mas algo mal visto por “tolher a naturalidade do cotidiano”.

Se houve avanços – e eles são, sim, reais – nas relações de gênero, na inclusão de negros e homossexuais, foi menos por superação cultural do preconceito do que pela pressão exercida pelos instrumentos jurídicos e policiais. Mas, como sempre ocorre quando um sentimento humano é reprimido, ele é armazenado de algum modo. Ele se acumula, infla e, um dia, encontrará um modo de extravasar. (...)

Foi algo parecido que aconteceu com o “brasileiro médio”, com todos os seus preconceitos reprimidos e, a duras penas, escondidos, que viu em um candidato a Presidência da República essa possibilidade de extravasamento. Eis que ele tinha a possibilidade de escolher, como seu representante e líder máximo do país, alguém que podia ser e dizer tudo o que ele também pensa, mas que não pode expressar por ser um “cidadão comum”.

Agora esse “cidadão comum” tem voz. Ele de fato se sente representado pelo Presidente que ofende as mulheres, os homossexuais, os índios, os nordestinos. Ele tem a sensação de estar pessoalmente no poder quando vê o líder máximo da nação usar palavreado vulgar, frases mal formuladas, palavrões e ofensas para atacar quem pensa diferente. Ele se sente importante quando seu “mito” enaltece a ignorância, a falta de conhecimento, o senso comum e a violência verbal para difamar os cientistas, os professores, os artistas, os intelectuais, pois eles representam uma forma de ver o mundo que sua própria ignorância não permite compreender.

Esse cidadão se vê empoderado quando as lideranças políticas que ele elegeu negam os problemas ambientais, pois eles são anunciados por cientistas que ele próprio vê como inúteis e contrários às suas crenças religiosas. Sente um prazer profundo quando seu governante maior faz acusações moralistas contra desafetos, e quando prega a morte de “bandidos” e a destruição de todos os opositores.

Ao assistir o show de horrores diário produzido pelo “mito”, esse cidadão não é tocado pela aversão, pela vergonha alheia ou pela rejeição do que vê. Ao contrário, ele sente aflorar em si mesmo o Jair que vive dentro de cada um, que fala exatamente aquilo que ele próprio gostaria de dizer, que extravasa sua versão reprimida e escondida no submundo do seu eu mais profundo e mais verdadeiro.

O “brasileiro médio” não entende patavinas do sistema democrático e de como ele funciona, da independência e autonomia entre os poderes, da necessidade de isonomia do judiciário, da importância dos partidos políticos e do debate de ideias e projetos que é responsabilidade do Congresso Nacional. 

É essa ignorância política que lhe faz ter orgasmos quando o Presidente incentiva ataques ao Parlamento e ao STF, instâncias vistas pelo “cidadão comum” como lentas, burocráticas, corrompidas e desnecessárias. Destruí-las, portanto, em sua visão, não é ameaçar todo o sistema democrático, mas condição necessária para fazê-lo funcionar.

Esse brasileiro não vai pra rua para defender um governante lunático e medíocre; ele vai gritar para que sua própria mediocridade seja reconhecida e valorizada, e para sentir-se acolhido por outros lunáticos e medíocres que formam um exército de fantoches cuja força dá sustentação ao governo que o representa.

O “brasileiro médio” gosta de hierarquia, ama a autoridade e a família patriarcal, condena a homossexualidade, vê mulheres, negros e índios como inferiores e menos capazes, tem nojo de pobre, embora seja incapaz de perceber que é tão pobre quanto os que condena. Vê a pobreza e o desemprego dos outros como falta de fibra moral, mas percebe a própria miséria e falta de dinheiro como culpa dos outros e falta de oportunidade. Exige do governo benefícios de toda ordem que a lei lhe assegura, mas acha absurdo quando outros, principalmente mais pobres, têm o mesmo benefício. 

Poucas vezes na nossa história o povo brasileiro esteve tão bem representado por seus governantes. Por isso não basta perguntar como é possível que um Presidente da República consiga ser tão indigno do cargo e ainda assim manter o apoio incondicional de um terço da população. A questão a ser respondida é como milhões de brasileiros mantêm vivos padrões tão altos de mediocridade, intolerância, preconceito e falta de senso crítico ao ponto de sentirem-se representados por tal governo?”

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Ivan Lago

Professor e doutor em Sociologia Política




sábado, 19 de setembro de 2020

O CORONELISMO

O coronelismo é uma prática sociopolítica brasileira típica do início do século XX, no período chamado de República Velha (1889-1930), quando os chamados “coronéis” exerciam o poder local sobre as camadas inferiores da sociedade a fim de garantir votos em troca de favores das esferas políticas locais, estaduais e federais.

ORIGENS

As origens do coronelismo remontam ao século XIX, com o desenvolvimento da Guarda Nacional, quando os cargos de confiança foram nomeados de acordo com relações de influência e troca de favores, assim sendo, grandes proprietários de terra que eram leais ao governo recebiam o cargo de coronel para exercer o controle local. A medida que o tempo avançou, todo chefe político local passou a ser chamado pelos sertanejos de coronel. A respeito do poder do coronel, podemos dizer que:

“(...) O coronel seria um elemento eminentemente eleitoral, cuja liderança política se exercitava em decorrência da sua liderança econômica; e o argumento para que o seu poder se legitimasse estaria no aliciamento de eleitores e no preparo das eleições. Todavia, a nível local, o coronel seria um organizador do seu mundo, inseparável da sociedade agrária, protetor do "camponês", para quem era o protetor e o mandão, e articulador da sociedade local ao sistema político, econômico e social. Dessa forma, o poder do coronel derivaria mais do seu prestígio e da sua honra social, tradicionalmente reconhecidos, do que da sua situação econômica”.|1|

O coronelismo, portanto, foi se desenvolvendo ao longo do século XIX, existente tanto nos meios rurais como nas cidades, foi resultado das desigualdades e precariedades existentes na sociedade brasileira e encontrou no período da República Velha as condições necessárias para prosperar.

VOTO DE CABRESTO E TROCA DE FAVORES

O desenvolvimento eleitoral em esferas municipais permitiu aos coronéis ampliar seus poderes, pois atuavam diretamente no arrebanhamento de votos para os candidatos que possuíam apoio do governo estadual ou mesmo federal. Como os coronéis em geral possuíam uma força militar considerável, eles poderiam utilizar a força e o medo para coagir a população a votar em determinado candidato. Importante lembrar que o voto durante a República Velha não era secreto, o que permitia um maior controle dos coronéis sobre as votações. A partir do aliciamento de votos, os coronéis garantiam uma série de favores que poderiam ampliar seu controle político e/ou econômico local, mas que também poderia incluir favores simples como “um par de sapatos, uma vaga no hospital ou um emprego de professora”.

Fonte: História do Mundo

domingo, 23 de agosto de 2020

A MORTE

A Morte é a separação para a “putrefação” que significa a destruição, pela fermentação, da matéria que compõe os seres vivos; uma maçã putrefaz-se e então diz-se que está “morta”. Esse entendimento diz respeito ao corpo físico. A morte da maçã “libera” a semente que lhe será sobrevida.

A morte do ser humano, contudo, não corresponde a um estágio final, terminal e destrutivo, mas sim a um princípio espiritual.

Hoje a ciência aceita um ser humano como morto quando cessam as funções cerebrais.

A vida vegetativa, em estado de coma, não passa de um estado de morte na expectativa da putrefação. O ser humano pode viver durante um longo período com morte cerebral, sem qualquer perspectiva de retorno à atividade, uma vez que o cérebro cesse suas funções. Será nesse estado que a ciência retirará os órgãos destinados a serem transplantados em outro ser humano; para o doador, significará uma “sobrevida”.

O ser humano, na sua síntese tradicional, nos seus princípios filosóficos, preocupa-se enormemente com instruir os seus adeptos para que enfrentem a morte como fato normal.

A morte pode ser uma “libertação” para o “voo” em direção ao infinito e ao incognoscível.

Não devemos temer a morte.

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Brasil tem mais de mil mortes em 24h e passa de 113 mil

 País é o segundo mais afetado pela pandemia em todo o mundo

País é o segundo mais afetado pela pandemia em todo o mundo

Foto: ANSA / Ansa

O Brasil registrou mais 1.054 mortes pelo novo coronavírus Sars-CoV-2 em um período de 24 horas, elevando o número total para 113.358, informou o levantamento do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) nesta sexta-feira (21).

A taxa de letalidade está mantida em 3,2%, enquanto o índice de mortalidade é de 53,9 pessoas por 100 mil habitantes.

Segundo o balanço, existem 3.532.330 casos da covid-19 em todo território brasileiro, um acréscimo de 30.355 novos contágios entre ontem e hoje. Ainda conforme o Conass, a taxa de incidência continua crescendo, com 1.680,9 pessoas por cada 100 mil cidadãos.

O estado de São Paulo ainda é o epicentro da doença no Brasil registrando 28.155 mortos desde o início da pandemia. Ao todo, 735.960 pessoas já se contaminaram com a covid-19.

No ranking de estados mais atingidos pela pandemia, a Bahia se mantém em segundo lugar com mais contaminados (229.743) e em quinto no número de mortes (4.757).

O Rio de Janeiro, por sua vez, aparece em terceiro na quantidade de casos (207.036) e em segundo na de vítimas, com 15.202. Ceará, Minas Gerais, Pará e Distrito Federal também estão entre os estados mais afetados.

A média móvel de casos em sete dias continua caindo e é de 36.687, enquanto a de morte é 976. Atualmente, o Brasil é o segundo país mais atingido pela covid-19, atrás apenas dos Estados Unidos, segundo dados da Universidade Johns Hopkins. 

Fonte: Terra.

#ForaBolsonaro

#ForaGenocida

#ForaFascista

REFLEXÃO DO DIA 21.08.20

Nos sentirmos diminuídos é sinal de baixa autoestima. Nós é que sabemos o valor que temos e, por isso mesmo, temos que nos valorizar, e isso é fundamental para a nossa qualidade de vida.

Certamente que jamais conseguiremos agradar a todos, porém, haverá sempre alguém em quem despertaremos atenção e confiança. O que não serve para alguns, certamente servirá para outros.

Não devemos superestimar a importância da opinião que os outros fazem a nosso respeito. Não precisamos de máscaras para convencermos alguém a gostar de nós, e nem temos a obrigação de fazermos igual a outras pessoas para conquistarmos admiração e respeito.

Procuremos ser pessoas singulares, isto é, únicas, autênticas. Não levemos uma vida limitada a "padrões", muitas vezes equivocados. O desprezo de alguns não ofuscará a importância que temos na vida de outras pessoas.

O desrespeito alheio não altera a nossa integridade e nem nos coloca abaixo de ninguém, porque sabemos que temos o nosso valor.

Nosso amor foi desprezado? Problema de quem o desprezou, porque lá na frente irá perceber e se arrepender do que deixou para trás. Não deram crédito às nossas palavras? Se elas foram sinceras, não há com que nos preocuparmos.

Reflitamos um pouco sobre esse assunto, nesta sexta-feira, nos lembrando de que, perde quem nos ataca, quem nos causa desilusão, quem nos trai, quem tenta nos humilhar ou falta com a verdade. Sim, nós temos o nosso valor! Bola pra frente, e ponto final.


quinta-feira, 20 de agosto de 2020

REFLEXÃO DO DIA 20.08.20



A paciência diante das situações que fogem do nosso controle, e que naturalmente agem contra a nossa vontade, não significa fraqueza ou incapacidade da nossa parte. Não devemos pensar assim.

Resignação é uma atitude própria dos humildes de espírito; é uma postura que somente os que confiam em Deus e aprenderam com a vida, sabem utilizá-la.

Em nada adiantará nos irritarmos ou esbravejarmos contra o que chamamos de má sorte, pois, é fazendo uso da paciência que as coisas se ajeitam.

Acreditemos e nos entreguemos nas mãos do Criador e as coisas, em breve, se ajeitarão para melhor.

E, atenção! Não nos deixemos levar pelo falso conceito de resignação. Resignar-se é aceitar as coisas como elas se apresentam, mas procurando fazer o melhor ao nosso alcance para transformá-las. 

Ser resignado é ter a verdadeira paciência. É buscar, com sabedoria, tempo para respirar e tomar novo fôlego para encarar os desafios e provações, com energia redobrada. 

A Paciência é uma nobre virtude. Pratiquemo-la no nosso dia-a-dia, pois, com o tempo ela estará fazendo parte da nossa personalidade, de forma natural e definitiva.

Nesta quinta-feira, nos lembremos de que, nós é quem mais nos beneficiamos ao agirmos com paciência.

Feliz Dia do Maçom

 

20 de agosto, é dia de homenagear aqueles que acreditam na fraternidade universal como real manifestação de liberdade, buscando sempre a igualdade. É dia de exaltar aqueles que buscam incessantemente a verdade e a justiça, combatendo o erro e a opressão, numa interminável e desafiadora luta contra o mal, o vício e a injustiça, tendo como armas a verdade, a virtude, o bem e uma fé inestimável e ilimitada  num ser supremo, fonte da mais pura energia, capaz de derrubar tiranos de toda espécie, que de tempos em tempos aparecem  no contexto histórico para espalhar o ódio, a desgraça e a insanidade. 

#ForaBolsonaro

#ForaFascistas


‘Estado não pode ser infrator’, diz Cármen ao votar por proibir governo de monitorar servidores ‘antifascistas’

 Crédito: AFP

A presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, durante sessão em Brasília, em 4 de abril de 2018 (Crédito: AFP)

Relatora de uma ação que contesta a produção de um dossiê contra 579 servidores públicos opositores ao governo Bolsonaro, a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF) votou nesta nesta quarta-feira (19) para suspender todo e qualquer ato do Ministério da Justiça de produção ou compartilhamento de informações sobre cidadãos que se intitulam antifascistas. Pelo entendimento de Cármen, a pasta comandada pelo ministro André Mendonça fica proibida de levantar dados sobre a vida pessoal, escolhas pessoais ou políticas e práticas cívicas exercidas por opositores ao governo. O procurador-geral da República, Augusto Aras, por outro lado, defendeu o direito do Executivo de colher informações e disse que “relatório de inteligência não se confunde com investigação criminal”. O julgamento será retomado nesta quinta-feira.

Fonte: Isto é

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Guedes ganha sua sétima vida, mas se torna o ministro mais frágil do governo

 Após interferência no diesel, Guedes e Bolsonaro têm reunião | A ...


Ainda na eleição, Jair Bolsonaro tentou abafar os primeiros rumores de que Paulo Guedes deixaria sua equipe. O economista era alvo dentro do comitê de campanha por sugerir a criação de um imposto nos moldes da velha CPMF. “O Paulo segue firme”, afiançou o candidato.

Apesar do aval público, o presidente manteve o conselheiro sob risco permanente. Bolsonaro precisou defender o auxiliar outras seis vezes. Negou sua demissão e simulou apoio a sua agenda. Em quase todos os casos, porém, forçou o ministro a recuar e preservou os ruídos da relação.

Quando o fantasma do novo imposto incomodou a campanha de Bolsonaro, após o primeiro turno, o candidato quis proteger o economista. Disse que a ideia da CPMF era “um ato falho” e que não criaria novos tributos. Guedes ainda insiste, mas o chefe nunca abraçou o plano.

Na largada do mandato, os atritos da reforma administrativa levaram o presidente a repetir o script. Em outubro, Bolsonaro defendeu a pauta do ministro e disse que havia “100%” de confiança entre os dois.

Dois meses depois, disse estar “muito feliz com esse casamento hétero com o Paulo Guedes”, mas mandou abrandar a proposta que mudaria as regras do funcionalismo. “A equipe econômica entendeu”, comunicou. O texto foi para a gaveta.

No Carnaval seguinte, Guedes voltou a ser um problema. O ministro chamou servidores de parasitas e disse que, se o dólar estivesse mais barato, as empregadas domésticas iriam à Disney. “Ele vai ficar conosco até o último dia”, reagiu o presidente.

Bolsonaro refez o teatro em abril, na disputa entre o economista e os ministros que pediam mais dinheiro para obras. “O homem que decide a economia no Brasil é um só”, sentenciou. O presidente, logo depois, se juntou ao coro dos gastadores.

Sob pressão para abrir o cofre, Guedes ganhou sua sétima vida na segunda (17). Desta vez, Bolsonaro disse que a saída do auxiliar “nunca foi cogitada”. Com tantas garantias de permanência, ele se tornou o ministro mais frágil da Esplanada.

Bruno Boghossian

Jornalista, foi repórter da Sucursal de Brasília. É mestre em ciência política pela Universidade Columbia (EUA).


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segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Após protestos, gravidez de criança estuprada é interrompida

Grupo de religiosos foi para a frente do hospital em que menina de 10 anos estava internada e orou para que ela não interrompesse a gravidez, chamando a vítima menor de idade e o médico responsável pelo procedimento de "assassinos"

 Durante o domingo, grupos religiosos fizeram atos, fazendo uma espécie de barreira humana na frente do Cisam para tentar impedir a entrada do médico responsável pelo procedimento na unidade de saúde. Ao chegar ao local, o médico foi recebido aos gritos de "assassino". Vídeos do momento circulam nas redes sociais.

"Dentro da maternidade, em alguns momentos, a gente escutava alguns ruídos lá de fora [dos protestos], mas conseguimos manter a menina fora e alheia ao que estava acontecendo lá. A gente sabia o que era, mas no nosso espaço estávamos cuidando dela. Fazendo o procedimento acontecer, explicando a ela direitinho. Para que ela se sentisse acolhida e segura com quem estava ali com ela. Afinal de contas, foi o nosso primeiro contato com ela. Mas acho que conseguimos transcorrer da melhor forma possível para ela, sem causar tantos problemas, porque o que aconteceu do lado de fora, pelo o que a gente viu nas redes sociais, realmente não foi uma situação nem um pouco confortável: um grupo fazendo barulho e sem máscara na porta de um hospital, querendo invadir a instituição. Mas, para nós, do Cisam, fica a sensação e o sentimento de tarefa cumprida, cumprindo com o nosso dever, atendendo a uma ordem judicial para salvar a vida de uma criança que vem sendo vítima, há quatro anos, de um adulto agressor. Um sofrimento que resultou numa gestação", pontuou Benita Spinilli.

De acordo com a coordenadora de enfermagem do Cisam, Maria Benita Spinelli, a instituição optou pelo tipo de procedimento menos invasivo possível. "Se faz um primeiro procedimento, que é o óbito fetal, e em seguida dá continuidade ainda com o uso de alguns medicamentos, para o desencadeamento do aborto, da expulsão do feto, de uma forma menos traumática e intervencionista, para que a eliminação seja por via vaginal, sem causar maiores danos à menina", explicou.

Benita Spinelli explicou ainda que, nesta segunda-feira, a menina deve sentir algumas dores de contrações, mas que são dores esperadas e que não demonstram risco para a paciente. "Elas estão bem [a menina e a avó], acolhidas, estão em uma enfermaria, sendo bem cuidadas por toda a nossa equipe profissional e aguardando o desfecho. A menina deve sentir algumas dores, claro, porque são contrações, e a sensação é essa mesmo, a contração é dolorida, mas está tudo dentro do previsto, correndo da melhor maneira possível. Assim que ela estiver bem, em condições de alta, sem nenhum sangramento ou processo infeccioso, ela poderá voltar para a cidade dela".

fonte: Terra

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Fake news sobre vacinas contra a covid-19 ameaçam combate à doença

 Há 165 vacinas contra a covid-19 em desenvolvimento no mundo, segundo a OMS

Há 165 vacinas contra a covid-19 em desenvolvimento no mundo, segundo a OMS

Foto: Reuters / BBC News Brasil

A vacina da covid-19 ainda não existe, mas a resistência a ela já um problema bem real. Uma pesquisa do Datafolha com 2.065 brasileiros mostrou que 9% dizem que não irão se vacinar contra o novo coronavírus.
Os índices são ainda maiores nos Estados Unidos e no Reino Unido: 16% dos britânicos se recusariam a tomar a vacina se ela estivesse disponível hoje, segundo o instituto Ipsos Mori, e um em cada três americanos faria o mesmo, de acordo com o instituto Gallup.
Um medo das autoridades de saúde é que essa parcela da população cresça junto com o aumento dos ataques às vacinas contra a covid-19 e que isso comprometa os esforços para imunizar gente em número suficiente contra o novo coroanvírus para acabar com a pandemia.
Como a BBC News Brasil mostrou, já há uma campanha em curso contra as vacinas para covid-19 e ela está ganhando mais força conforme avançam as pesquisas.

Os posts publicados nos dois principais grupos antivacina do Facebook no Brasil estavam até há pouco tempo mais concentrados em falar da covid-19 em si e de alguns medicamentos que vêm sendo testados contra ela.

Mas os ataques às vacinas no grupo "Vacina: O maior crime da História!", que tem 8 mil membros, e o "Vacinas: O lado obscuro das vacinas", que tem 13,8 mil, estão ficando mais frequentes, diz João Henrique Rafael Junior, idealizador do União Pró-Vacina, projeto do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto que combate a propagação de informações falsas sobre o assunto.

Um dos posts mais recentes diz, por exemplo, que um novo tipo de vacina, que está em teste contra a covid-19, seria capaz de "modificar o DNA" de seres humanos.

A origem dessa "denúncia" seria a osteopata americana Carrie Madej, que afirmou em um vídeo divulgado na internet que esta tecnologia vai criar uma "nova espécie e, talvez, destrua a nossa".

O problema é que isso não é verdade, como disseram especialistas às agências Reuters e Lupa e ao portal G1.

De fato, algumas vacinas em teste contra o novo coronavírus usam uma técnica inédita, conhecida como RNA mensageiro, para fazer com que parte do material genético do coronavírus, seja absorvido por nossas células para fazer com que elas produzam uma proteína característica desse micro-organismo, que será detectada pelo sistema imunológico.
A ideia é que o nosso corpo aprenda desta forma a nos proteger da covid-19. Mas essa tecnologia não altera o DNA das nossas células e, portanto, não cria seres humanos geneticamente modificados.

Essa forma de "denúncia" recorre a um expediente frequente nesse tipo de ataque: mistura algumas informações verdadeiras com outras falsas para nos fazer acreditar que corremos algum perigo e, neste caso, gerar desconfiança sobre as vacinas contra a covid-19.

Outros rumores que circulam dizem que células de fetos abortados são usadas na composição das vacinas; que elas são parte de uma conspiração do bilionário Bill Gates para implantar microchips em nós, ou que voluntários dos testes já morreram por terem se submetido às vacinas em fase experimental.

O temor de Junior, do União Pró-Vacina, é que, uma vez lançada a vacina, ela se torne o único alvo dos vários grupos que espalham mentiras na internet e isso leve à "maior campanha de desinformação da história".

Isso pode não só comprometer a imunização contra o coronavírus, mas aumentar a desconfiança em relação às vacinas contra outras doenças.

"É como em um tsunami. O mar já começou a recuar. Em breve, vamos ser atingidos por uma onda gigantesca de desinformação sobre as vacinas. Se não estivermos preparados, é impensável o efeito que isso pode ter", diz Junior.

A 'infodemia' é 'ameaça à saúde pública'

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já alertou que teorias da conspiração, rumores e mentiras divulgadas em torno da pandemia vêm se espalhando tão rapidamente quanto o próprio coronavírus.

Essa "infodemia" tem contribuído para aumentar o número de casos e mortes por covid-19 no mundo, segundo a organização.
Um estudo publicado no periódico American Journal of Tropical Medicine and Hygiene dá uma ideia do seu impacto.
Entre 31 de dezembro e 5 de abril, seus autores encontraram 2.311 publicações na internet com rumores e teorias da conspiração ou que promoviam a estigmatização de grupos sociais, em 87 países e em 25 idiomas.

Eles avaliaram 2.276 e concluíram que só 9% eram verdadeiras. A maioria eram falsas (82%), enganosas (8%) ou infundadas (1%).

Os cientistas estimam que um dos mitos mais difundidos (que ingerir álcool com uma alta concentração poderia desinfetar o corpo e matar o vírus), fez 5.876 pessoas serem hospitalizadas, matou 800 e deixou 60 cegas.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse em um comunicado em setembro do ano passado que a "desinformação sobre vacinas é uma grande ameaça à saúde global".

Ele pediu que empresas de tecnologia, como Google, Facebook e Twitter, combatam esse tipo de conteúdo.

"As principais organizações digitais têm uma responsabilidade: garantir que seus usuários possam acessar informações sobre vacinas e saúde. Queremos que os atores digitais façam mais para tornar conhecido em todo o mundo que #VacinasFuncionam", disse Ghebreyesus.

O impacto das campanhas antivacina

O diretor-geral da OMS já disse que está preocupado com o alcance crescente das campanhas antivacina. Ghebreyesus alertou que elas podem reverter "décadas de progresso no combate a doenças que podem ser prevenidas".

Um estudo feito pela FTI Consulting, uma empresa de inteligência de mercado presente em 11 países, dá uma ideia do potencial impacto da desinformação que circula em redes sociais sobre as vacinas contra covid-19.
A pesquisa analisou o aumento do volume de posts deste tipo sobre a vacina tríplice viral (para sarampo, caxumba e rubéola) no Twitter ao longo de 2012 e 2018. Neste período, houve uma queda de 3% na cobertura desta vacina na Inglaterra e no País de Gales.

Os cientistas da FTI analisaram a literatura sobre fatores comportamentais e demográficos e criaram um um modelo computacional que levou em consideração todos estes motivos e também o aumento da desinformação no Twitter.

O objetivo foi, por meio de um sistema de inteligência artificial, identificar o quanto da redução da cobertura vacinal foi causada exclusivamente pela desinformação.

O estudo concluiu que cada aumento de 100% no volume de desinformação sobre a tríplice viral no Twitter levou a uma queda de 0,2% na cobertura vacinal. Como houve no período analisado um aumento de 800% da desinformação na rede social, isso gerou uma redução de 1,6% na cobertura vacinal.

Ou seja, mais da metade da queda foi causada pela desinformação. "Outros estudos já haviam demonstrado uma associação entre o aumento da desinformação e a queda da cobertura vacinal. Nosso trabalho é o primeiro a provar que a desinformação causou uma queda", diz Meloria Meschi, coautora do estudo.

David Eastwood, coautor da pesquisa, diz que, diante disso, é preciso levar a desinformação em conta antes mesmo das vacinas contra covid-19 serem lançadas.

"Quando a vacina estiver disponível, será importante que a imunização ocorra rapidamente. Mas, a menos que o risco da desinformação seja combatido, a adoção da vacina pode ser retardada", afirma Eastwood.

fonte: Site Terra.

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REFLEXÃO DO DIA 30.07.26

Muitas vezes a vida nos ensina por caminhos totalmeste inesperados, e a ajuda pode nos chegar por mãos que nunca imaginávamos. São surpresas...

OS MELHORES PITACOS